Lençóis Maranhenses sem (muito) perrengue!

Tem vontade de conhecer os Lençóis mas tem um certo receio de ser complicado? Vem comigo conhecer o melhor da região, com muita sinceridade hahaha

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Com o aumento da procura por destinos nacionais, chegou a hora de incluir esse paraíso na sua listinha. Sempre adiei minha ida, pois ouvia muito falar dos perrengues e falta de estrutura dos lugares. E após muitas pesquisas (e erros rs) cheguei a um roteiro perfeito para meu estilo de viagem, modéstia a parte hahahaha.

Lagoa do Junco (minha favorita da viagem)

Sei que o que não falta são opções de roteiros por ai, então resolvi fazer um pouco diferente, com a minha percepção. Um roteiro um pouco mais exclusivo que o habitual, para diminuir ao máximo a chance de sufocos, que sem dúvida aparecerão ao longo da viagem. rs. Tenha em mente que é um paraíso roots, em uma região ainda bem pobre (infelizmente) do país.

A viagem tem 3 bases para fazer a rota dos lençóis: Barreirinhas, Atins e Santo Amaro.

A mais famosa, e que a maioria das pessoas faz é a cidade de Barreirinhas. Mas para ser beeeeeeem honesta, foi a que menos gostei e acho, dependendo do tempo que você tem, a mais dispensável #prontofalei. Mas já já explico melhor sobre as cidades.

Feitas tais considerações, vamos lá!

Quando ir:

O ideal é pegar as lagoas bem cheias, após o período das chuvas. A época chuvosa varia de dezembro/ janeiro até maio/junho.

Então o melhor período para conhecer é de junho até meados de setembro.

Após esse período, muitas lagoas secam e só enchem novamente com as chuvas.

Isso não significa que você não possa ir qualquer mês, pois muitas lagoas são perenes. Mas se você faz questão de visitá-las em sua plenitude, sem risco de chuvas e com as águas bem clarinhas, não deixe de ir nos melhores meses.

Distância:

Essa parte é bem chatinha. Não tem aeroporto próximo, então você precisa pegar uma estrada (bem ruinzinha, diga-se de passagem) cheia de quebra-molas e pouco iluminada. O trecho dura aproximadamente 4 horas de viagem saindo de São Luis.

Sugiro contratar um transfer, de preferência privativo, ou alugar um carro. Nós contratamos um transfer que nos buscou no aeroporto e nos deixou em nossa pousada na primeira cidade que escolhemos para ficar: Santo Amaro. Optamos por não alugar carro pois os passeios nos Lençóis não podem ser feitos sem guia, então achei que não valeria financeiramente ter um carro para ficar parado muitos dias na pousada.

A obrigatoriedade dos guias é realmente muito importante, pois as dunas são perigosas até para os motoristas experientes da região, e o que vimos de carros 4×4 atolados por lá, não está no gibi rs. Além disso, são parque Municipais e Federais, com rotas pré determinadas, para evitar a degradação ambiental.

Já aproveito para falar sobre Santo Amaro: para mim é a parada mais imperdível. O filé mignon, como dizem hehehe. Fica a poucos quilômetros da entrada do Parque Nacional, quase no pé das dunas. E as lagoas mais lindas, de água mais claras e mais vazias (de pessoas) são as de lá. Os passeios contratados, te pegam na pousada e seguem para o parque. E em aproximadamente 20 minutos, você já está lá dentro. Também fechamos tranfers privativos na maioria das vezes. Primeiro, porque estávamos tentando ao máximo evitar contato com mais pessoas por conta da pandemia, e segundo, que você fica bem mais tranquilo com horário e vai decidindo na hora o que mais te agrada.

Os passeios que mais gostamos em Santo Amaro foram:

CIRCUITO BETÂNIA – LAGOA DO JUNCO

A lagoa do Junco é surreal, intocada, deslumbrante. Um azul de doer os olhos. Difícil acreditar que é água doce (até em ter certeza depois de dar uma lambidinha hehehe). Foi a que mais amei em toda a viagem.

Lagoa do Junco

Uma dica que um dos nossos guias nos deu, foi que ela é ainda mais linda no período da manhã. Então sugiro que você contrate o passeio que te deixa nela mais cedo, para depois continuar a rota. O passeio que inclui a lagoa do Junco tem parada em um povoado local para almoço, com uma pequena travessia de barco e segue para uma segunda lagoa, a Betânia, a tarde (a maioria dos passeios fazem o contrário – deixam o Junco para o pós almoço). Inverter ainda aumenta as chances de ter as lagoas bem vazias, só para seu grupo. A lagoa da Betânia também é bem linda! O circuito ainda inclui uma parada para assistir o por do sol em uma duna, também imperdível!

Betânia

Se eu pudesse escolher apenas um dia de passeio, sem dúvidas seria esse. A parada para o almoço não é grandes coisas. Lugar beeeeem simples e uma comida Ok. Mas, faz parte. rs

CIRCUITO AMÉRICAS

Lindíssima também! Passeio de meio período, apenas. O carro te pega na pousada, te deixa em um mini cais e você segue de lancha até as lagoas.

Tons esverdeados e super clarinha, como eu sonhava ver!

CIRCUITO DAS EMENDADAS

Então, vamos de honestidade hahahaha. Esse passeio, no dia que fizemos, fiquei P… da vida rs. Ninguém tinha nos informado como funcionava e eu achava que seria como os outros: o Jipe nos deixaria a poucos metros da lagoa e pronto. Porém é mais um trekking que qualquer outra coisa. Você caminha por 2 horas pelas dunas, parando entre uma lagoa e outra para banho. Mas como já fomos no finalzinho da temporada (meados de setembro) a maioria delas já estava quase seca.  Ou seja, um sol quentíssimo, percurso longo e muitas dunas para subir e descer até chegar o ponto final. Uma duna super alta para assistir um dos pores do sol mais lindos que já vi na VIDA!  Emocionante.

E a volta, também de 2 horas no meio das dunas rs, foi bem menos sacrifício, pois já não tinha mais sol, o que ajuda muito. E do meio para o fim, o céu suuuuuper estrelado, baixinho, sem nenhuma iluminação artificial, fez valer o passeio.

No dia, fiquei bem chateada, reclamei à beça com o dono da agência que nos vendeu passeio hahahaha. Mas depois, fiquei feliz de ter feito, valeu a pena! Eu só gostaria de ter sido avisada sobre, para preparar o psicológico hahaha.

Então, avalie se você gosta de andar (muito); pergunte se as lagoas ainda estão cheias; veja se a previsão é de céu limpo a noite e claro, se haverá pôr do sol (sem nuvens). Esses “pequenos” detalhes farão TODA diferença.

Um detalhe importante!! As lagoas mudam muito de temporada para temporada. Tem ano que uma está mais bonita que a outra, mais azul, mais profunda… Tem algumas que inclusive somem de um ano para o outro. Então se informe bem para depois não reclamar que dei dica zoada haha.

CURCUITO LAGOA GAIVOTA E ANDORINHA

Tínhamos reservado esse passeio para o último dia, mas cancelamos em cima da hora após conversar com algumas pessoas que estavam por lá e que haviam feito. Ninguém falou nada mal do lugar, pelo contrário! As lagoas parecem ser lindíssimas, do jeito que a gente imaginava.

Todo mundo elogiou bastante, mas ao mesmo tempo, disseram que após termos feito o circuito  Betânia e Américas, ia acabar sendo o mais do mesmo. E por mais lindo que seja, confesso que acaba ficando tudo similar. Então tiramos o último dia para descansar pela manhã e agendamos o transfer para Barreirinhas, a segunda parada da viagem.

Outro detalhe importante: as lagoas não tem estrutura NENHUMA! Você precisa levar sua própria água e lanchinho, caso queira.

Santo Amaro, apesar de tanta beleza natural, é bem fraca de estrutura para receber os turistas. Até pouquíssimo tempo atrás, não tinha acesso por estrada e era um caos para chegar. As pousadas são muito simples e a única melhorzinha, costuma esgotar com bastante antecedência. Caso tenha interesse em reservar, o nome é Rancho das Dunas, mas fica um pouco afastada do centrinho (que, diga-se de passagem, não tem quase nada).

Quase não tem restaurantes também. Possivelmente você irá acabar fazendo a maioria das refeições na própria pousada.

Tem um restaurante até bem famoso na cidade, que serve um prato típico chamado camarão da Malásia, que mais parece uma lagosta (restaurante do Gordo), mas, sendo bem honesta, não nos agradou nem um pouco na fachada, e acabamos nem entrando.

Quero deixar bem claro que não sou nada fresca com essas coisas, pelo contrário, adoro lugares simples, adoro conhecer coisas novas e típicas. Mas dessa vez, não rolou, rs. Acabamos conhecendo o Dunas Bistrô. Um ambiente bem gostoso, bonito, com bons drinks e o tal prato de camarão da Malásia, para matar a curiosidade.

Ah! Um lugar que amamos e acabamos voltando algumas vezes final do dia, foi uma sorveteria artesanal, que tinha sorvetes deliciosos e de frutas bem exóticas e típicas da região, como bacuri, seriguela, cupuaçu etc. Além de um dos sorvetes que mais amei na vida (e não sei porque não é comum no Brasil): sorvete de castanha de caju! Deu água na boca só de lembrar. A combinação docinha da castanha com o azedinho do bacuri foi o que mais adorei! A sorveteria fica bem na lateral da Igreja Matriz, no centrinho. Não tem erro.

Bacuri com castanha de Caju!

BARREIRINHAS

A princípio eu não queria nem incluir no meu roteiro, pois já sabia que não ia fazer muito meu estilo, rs.

Mas acabamos indo para poder ter certeza e também porque queríamos conhecer a lagoa mais famosa de toda a região: a Lagoa Bonita.

O município é o mais conhecido e mais bem estruturado do circuito. Tem bastante opção de hotéis, pousadas e restaurantes. A maioria fica concentrada na mesma região, na margem do rio, e dá para fazer tudo a pé. Mas a cidade em si é feia, meio caótica, sabe? Não curti muito.

No deck beira Rio, onde ficam quase todos os restaurantes

Além disso, a cidade não fica tão próxima ao parque Nacional, e os passeios são bem demorados. Você fica muitas horas (ida e volta) pulando dentro do carro no meio de uma estrada de terra bem ruim até chegar às dunas. Bem diferente de Santo Amaro, que é bem pertinho. Além disso, para chegar do lado do parque, os carros (jardineiras) precisam atravessar uma balsa. E como os passeios são quase no mesmo horário, pois a maioria fica para o por do sol, a volta é bem chata. Você fica muito tempo na fila esperando sua vez de entrar na balsa, depois de um dia bem cansativo. Isso porque fomos em uma época relativamente vazia.

Aconselhamos também fechar um transfer privativo, numa 4×4 com ar condicionado rs.

CIRCUITO LAGOA BONITA

 Esse foi o único passeio que fizemos em Barreirinhas. Fomos no período da tarde para já emendar com o por do sol. A lagoa é realmente muito bonita e são várias interligadas. umas nas outras. A cor da água não é tãoooo clara quanto as de Santo Amaro, mas a beleza do lugar é realmente diferenciada! Valeu muitooo a pena!!

Você sobe uma duna super alta (tem até o auxílio de uma corda) e, quando chega ao topo se depara com uma das coisas mais lindas que já vi na vida! É uma imagem para ficar na memória! Tive a sensação de sobrevoo sobre as lagoas.

Falando em sobrevoo, o João queria muito fazer um passeio de avião que dura aproximadamente 30 min e é bem conhecido. Ele sobrevoa o parque. Eu fiquei com um pouco de receio de fazer, mas todos que conheci que fizeram, falaram muito bem! O voo sai de Barreirinhas.

Apenas a título de comparação, em Santo Amaro as lagoas estavam bem vazias (no máximo 10 pessoas). Na de Barreirinhas, havia centenas! Não que isso seja muito a ponto de incomodar, pois a lagoa é muito, muitoooo grande, então não aglomera. Mas dá para ter uma ideia da diferença de uma região para a outra, né?

Seguindo viagem, já no dia seguinte, pegamos um passeio para o canto de Atins, saindo de Barreirinhas. A maioria das pessoas faz esse passeio bate e volta. Mas nós fizemos com a intenção de ficar alguns dias hospedados em Atins.

Então aqui, começa a ultima parada da viagem.

ATINS

A região mais “chiquezinha”. São pousadas boutiques, bem melhores e bem mais caras. Mas o lugar em si é beeeeeeem roots, rs. Não tem nada, nem pracinha, nem restaurante direito. A área mais famosa é a região beira mar. Onde é um dos points mais famosos de kite surf do Brasil e tem alguns (poucos) quiosques. A praia não é bonita, mas tem um charme. Gostoso para curtir um sunset tomando drinks e fazendo amigos haha.

Atins é chamada de a nova Jericoacoara (dizem que Jeri era bem similar a Atins, anos atrás). As ruas são de areia e só dá para chegar lá de barco ou 4×4. É de uma beleza rústica e intocada.

Quando falo ruas de areia, são de areia fofa mesmo! Beeeem difícil de locomover. Se pretende ficar perambulando pela cidade, recomendo fortemente que alugue um quadriciclo.

E Atins, mesmo sem muito o que fazer, achei uma delícia conhecer. Ficamos mais relax, curtindo a pousada. Nos hospedamos na Atins Charmes Chalés (achei muito boa). E o restaurante de lá é bem famosinho e aberto a não hospedes.

Pousada Atins Charmes Chalés

CANTO DE ATINS

O passeio é bem gostoso, mas não é imperdível. Acho que como já havíamos conhecido muitas lagoas lindíssimas, não fez taaanta diferença.  É um passeio cansativo, sabe?

Tem parada em lagoas (incluída a mais famosa da região – a Tropical), encontro do rio com o mar e almoço na treta do século hahahaha. São 2 restaurantes bem famosos, de 2 irmãos que tinham apenas um restaurante mas acabaram se desentendendo e abrindo concorrência: o do Antônio e da Luzia. Ambos com preço parecido, e ambos servem a mesma receita tradicional: camarão grelhado (além de outros pratos, claro). Mas esse camarão é super falado. E você, quanto mais pesquisa, mais fica em dúvida de onde vai escolher comer. Ambos são bem próximos, dá para escolher na hora.

o famoso camarão grelhado (muito dizem ser o mais famoso do Brasil)

Após ler muito e perguntar a todos os guias que conhecemos, acabamos escolhendo o do Antônio. Achamos o ambiente mais bonitinho. Se valeu a pena: isso você que vai ter que me dizer! Mas não precisa do drama todo que fiz, não tem tanta diferença entre eles. Hahaha.

Aproveitamos e matamos a curiosidade de tomar o famoso Guaraná Jesus. Mas também não vou falar se gostei, gosto é muito pessoal rs.

PASSEIO PELO RIO PREGUIÇA

Um jeito bem comum de ir de Barreirinhas até Atins é em um passeio de barco pelo Rio Preguiça. Ele tem uma parada para ver/ tirar fotos de macaquinhos e também inclui parada em um restaurante (super simples, com lojinhas de artesanato).

Nós, como fomos direto para Atins ao final do passeio do Canto, deixamos o Rio Preguiça para a volta e fechamos uma lancha privativa. É um percurso bem gostoso, passa por uma vegetação diferente do habitual e tivemos uma parada para banho de rio. Logo seguimos para Barreirinhas, onde nosso transfer nos aguardava para voltar para São Luis.

Uma vegetação bem diferentona, né? =)

Ficamos 3 noites em Santo Amaro, 2 noites em Atins e uma noite em Barreirinhas. Achamos suficiente! Aproveite e reserve algum dia para conhecer São Luis e seu centro histórico. Mas isso já é papo para outro post!

O que eu faria diferente no roteiro? Estenderia um pouco mais a viagem e já aproveitaria para conhecer Barra Grande, no Piauí.

A região é linda e faz parte, junto com os Lençóis e Jericoacoara, da Rota das Emoções!

Beijos, Bia!

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